Hospital Thereza Mussi inicia projeto Lean Healthcare | Hominiss Solutions
Notícia · Lean Healthcare

Hospital Thereza Mussi inicia projeto com a Hominiss Solutions para ampliar a produção cirúrgica

O Hospital Thereza Mussi, de Pato Branco (PR), iniciou com a Hominiss Solutions um programa para ampliar a produção cirúrgica com a estrutura que já possui. A tese é econômica: a estrutura já está paga, e cada cirurgia adicional consome apenas custo variável.

O projeto organiza o crescimento em um ciclo, conhecido em gestão como flywheel, em que cada etapa alimenta a seguinte e a margem gerada financia a próxima volta.

Por Ronaldo Mardegan, Sócio-Diretor da Hominiss Solutions · São Carlos (SP), · Leitura de 10 min

O projeto em resumo

Resumo do projeto em cinco perguntas da diretoria
Pergunta da diretoriaResposta
Qual é a decisão?Crescer em volume cirúrgico com a estrutura atual, antes de qualquer investimento em obra ou equipamento.
Qual é a alavanca econômica?A cirurgia adicional em estrutura já paga. O custo fixo de salas, leitos e clínica de imagem não muda, então a margem da cirurgia extra é maior que a margem média.
Quem decide o volume?O médico. O paciente acompanha o cirurgião que escolheu. Por isso o cliente do ciclo é o médico.
Como será feito?Três frentes simultâneas: centro cirúrgico, estratégia comercial médica e governança.
Como saberemos que funcionou?Indicadores ligados a cada etapa do ciclo, acompanhados frequentemente pela diretoria.

O ciclo de crescimento do hospital (flywheel)

Flywheel é um ciclo de causa e efeito: cada etapa alimenta a seguinte, e a última reforça a primeira. Por isso o crescimento ganha velocidade a cada volta. O conceito foi popularizado por Jim Collins e aplicado por Jeff Bezos na Amazon. No Thereza Mussi, o ciclo tem quatro etapas, um arco financeiro e um eixo.

  1. Experiência do médico: sala garantida, cirurgia no horário e nenhum atrito com convênio.
  2. Médicos ativos: mais médicos escolhem o hospital, e os que já operam ali trazem mais casos.
  3. Volume cirúrgico: mais cirurgias nas mesmas salas, com ocupação maior.
  4. Portfólio e demanda: mais especialidades e maior demanda de pacientes, inclusive pela clínica de imagem. Mais pacientes tornam o hospital mais atraente para o próximo médico.

Arco financeiro: o volume novo dilui o custo fixo e gera margem. Parte dessa margem volta para a etapa 1, na forma de agenda garantida, apoio de secretaria e cobertura de plantão. O volume paga a próxima melhoria.

Eixo: a governança mantém o ciclo em movimento: painel de indicadores e alçada definida. Alçada é o limite de decisão de cada pessoa ou comitê.

“Volume cirúrgico é consequência da escolha do médico. Por isso o projeto analisa o hospital sob quatro perspectivas: financeira, do médico, do paciente e dos processos internos. O resultado é uma proposta de valor clara para médicos, pacientes e sócios. Como a estrutura já está paga, cada cirurgia a mais amplia a margem e financia a próxima melhoria”, afirma Ronaldo Mardegan, Sócio-Diretor da Hominiss Solutions.

Quando o ciclo gira ao contrário: as dores que o projeto vai resolver

Em hospitais cirúrgicos que perdem volume, o mesmo ciclo gira no sentido oposto. Atrasos e troca de sala longa pioram a experiência do médico. O médico leva os casos para outro hospital. O volume cai. Com menos receita, o hospital deixa de investir no médico e na captação. Cada volta parte de um patamar mais baixo.

O projeto liga cada dor à etapa do ciclo que ela trava:

Dor, solução e indicador por etapa do ciclo
Etapa do cicloDor que trava a etapaSolução no projetoIndicador
1. Experiência do médicoFalta de sala percebida mesmo com sala livre: início atrasado, troca de sala longa, preparo sem padrão e horário reservado sem usoPadrão de troca de sala, preference card por cirurgião e horário fixo por médico com regra de devoluçãoPontualidade de início, turnover e cancelamentos evitáveis
2. Médicos ativosCaptação reativa: sem lista de médicos-alvo, sem responsável e sem metaFunil de médicos-alvo, pacote comercial por níveis, integração do médico novo e Gerente de Relacionamento MédicoMédicos no funil e médicos novos ativos
3. Volume cirúrgicoCapacidade instalada sem usoAgenda gerida por blocos e bloqueio das causas de cancelamentoOcupação das salas
4. Portfólio e demandaEspecialidades escolhidas por percepção, sem dado de margemMatriz de especialidades por margem de contribuição por hora de sala, com peso para as que usam a clínica de imagemEspecialidades prioritárias definidas
Eixo: governançaDecisão lenta, sem painel de indicadores nem alçadaPainel de indicadores, alçada definida e rotina semanal de decisãoPainel atualizado toda semana

Turnover é o tempo entre a saída de um paciente da sala e a entrada do próximo. Preference card é a ficha com instrumental, materiais e preferências de cada cirurgião, para a sala ficar pronta na primeira tentativa. Funil é a sequência de etapas do primeiro contato até o médico operando com frequência.

Por isso as três frentes andam juntas. Tratar só o centro cirúrgico produz salas eficientes e vazias. Tratar só a captação traz médicos para um centro cirúrgico que os frustra logo nas primeiras cirurgias. Mudar uma etapa isolada não inverte o sentido do ciclo.

A lógica econômica do ciclo

Quatro argumentos explicam por que o ciclo se paga.

1. A cirurgia adicional tem margem maior que a média

O custo fixo das salas, dos leitos e da clínica de imagem já é coberto pela operação atual. A cirurgia extra consome só custo variável: materiais, medicamentos e OPME, sigla para órteses, próteses e materiais especiais. Margem de contribuição é o que sobra da receita depois desses custos variáveis.

2. Tempo de sala vira cirurgia

Cada minuto a menos na troca de sala devolve capacidade ao centro cirúrgico. Somados ao longo do dia, esses minutos viram cirurgias adicionais, sem investimento.

3. Preço é a última alavanca, não a primeira

O custo do médico para operar no hospital aparece em três formas, e cada uma custa diferente ao hospital:

Formas de custo do médico para operar no hospital
Forma de custo para o médicoO que incluiCusto da redução para o hospital
TempoAtraso de início, turnover longo, espera por material, burocracia com convênio e chamadas noturnas sem plantãoQuase zero: resolvido pela organização do centro cirúrgico
Administrativo e estruturaDemora no repasse de honorários, glosa descontada do médico e taxas de usoBaixo: exige regra de repasse e revisão de taxas
PreçoConta hospitalar do paciente particular e margem sobre materiaisAlto: reduz a margem de cada cirurgia

Glosa é o valor que o convênio se recusa a pagar. Um corte de preço reduz a margem de todas as cirurgias daquele tipo, porque o custo variável não muda. Para compensar, o hospital precisa de um aumento de volume proporcionalmente muito maior que o desconto.

4. O funil define o esforço comercial

Só uma parte dos médicos contatados visita o hospital, e só uma parte dos que visitam passa a operar com frequência. Por isso a lista de médicos-alvo precisa ser muito maior que a meta de médicos novos.

O primeiro empurrão

Um ciclo parado exige mais esforço no início. Por isso as primeiras ações atacam duas etapas ao mesmo tempo: a experiência do médico e os médicos ativos.

  • Medir a linha de base: pontualidade de início, turnover e cancelamentos em todas as salas. Linha de base é o ponto de partida medido de cada indicador. Sem ela, nenhuma meta é verificável;
  • Ouvir os médicos: entrevistas com médicos que já operaram no hospital, com três perguntas: o que os levou a operar menos ali, onde operam hoje e o que os faria voltar;
  • Liberar horários parados: regra de devolução para horários reservados e não usados;
  • Abrir o funil: lista inicial de médicos-alvo, que habilita a abordagem comercial.

Os freios que o projeto monitora desde o início

Freio é a restrição que limita a velocidade do ciclo. Ampliar o volume cirúrgico desloca o gargalo para outras áreas, e o projeto mapeia esses freios desde o kickoff.

  • Leitos: o número de leitos pode limitar o teto de cirurgias com internação. O giro de leito será medido na fase de medição;
  • Anestesia: mais cirurgias exigem cobertura anestésica proporcional;
  • CME: a central de materiais e esterilização processa mais instrumental a cada cirurgia adicional e precisa ser dimensionada antes de a agenda crescer;
  • Ética médica: o Código de Ética Médica veda vantagem ao médico por paciente encaminhado e pela comercialização de órteses, próteses e implantes. Por isso o pacote comercial oferece agenda, estrutura e pagamento por serviço prestado, nunca valor por paciente ou por volume. As condições passam pelo jurídico do hospital;
  • Velocidade de decisão: uma rotina de decisão e uma alçada definidas desde o kickoff evitam que cada volta espere uma reunião de sócios.

Um hospital que resolve o centro cirúrgico sem verificar leitos, anestesia e CME apenas muda o gargalo de lugar.

Indicadores que a diretoria vai acompanhar

Cada indicador está ligado a uma etapa do ciclo e é acompanhado toda semana no painel da diretoria.

Indicadores, etapa do ciclo e direção esperada
IndicadorEtapa do cicloDireção esperada
Cirurgias iniciadas no horário combinado1. Experiência do médicoAumentar
Tempo de turnover entre cirurgias1. Experiência do médicoReduzir
Cancelamentos por causa evitável1. Experiência do médicoReduzir
Médicos-alvo no funil comercial2. Médicos ativosAumentar
Médicos novos ativos e recorrentes2. Médicos ativosAumentar
Ocupação das salas cirúrgicas3. Volume cirúrgicoAumentar

Os pontos de partida serão medidos no início do projeto. Ao fim, a Hominiss publicará os resultados medidos.

Perguntas frequentes

O que é um flywheel, ou ciclo de crescimento, em um hospital cirúrgico?

É um ciclo de causa e efeito em que o cliente é o médico. Uma experiência melhor atrai mais médicos, mais médicos geram mais cirurgias nas mesmas salas, e a margem do volume novo financia a próxima melhoria na experiência do médico.

Por que um hospital cirúrgico perde volume mesmo com salas disponíveis?

Porque quem escolhe onde operar é o médico. Atraso de início, troca de sala longa e falta de apoio levam o cirurgião a transferir pacientes para outro hospital, mesmo com salas livres.

Como aumentar o número de cirurgias sem investir em obra?

Reduzindo o tempo de troca de sala, cumprindo o horário de início, bloqueando cancelamentos evitáveis e liberando horários reservados e não usados. O tempo recuperado vira capacidade para novas cirurgias.

Por onde começar a reduzir o custo do médico para operar no hospital?

Pelo tempo, depois pelas questões administrativas e de estrutura, e por último pelo preço. Reduzir o tempo do médico custa quase nada ao hospital. Reduzir o preço reduz a margem de cada cirurgia.

O hospital pode oferecer vantagens ao médico para atrair cirurgias?

Pode oferecer acesso à sala, agenda, estrutura e pagamento por serviço efetivamente prestado. Não pode remunerar paciente encaminhado nem dar vantagem sobre órteses e próteses, conforme o Código de Ética Médica.

Sobre a Hominiss Solutions

A Hominiss Solutions é uma consultoria em engenharia de produção sediada em São Carlos (SP), com 25 anos de atuação e mais de 500 clientes atendidos. Aplica Lean Manufacturing, DMAIC, Six Sigma, automação e inteligência artificial para transformar melhorias operacionais em resultados financeiros, em indústrias e hospitais. Na saúde, a prática de Lean Healthcare da Hominiss amplia a capacidade do hospital com a estrutura que ele já possui.

Hominiss Solutions, convertendo eficiência operacional em margem, caixa e capacidade.
Consultoria em Lean Manufacturing, DMAIC e Six Sigma, com Automação e IA para a indústria no Brasil.

Próximos passos

Para conhecer a atuação da Hominiss em hospitais, acesse a página de Gestão Hospitalar.

Para conversar sobre ampliar a capacidade do seu hospital ou da sua operação, fale com a Hominiss pela página de contato.

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